O botânico Robert Fortune, um espião industrial enviado pela Companhia Britânica das Índias Orientais. Ele viajou disfarçado à China no século XIX para roubar os segredos de produção e mudas do chá.
- O Espião do Chá: Em 1848, a Grã-Bretanha dependia da China para obter chá. Para quebrar esse monopólio, Robert Fortune foi enviado em missão secreta às montanhas Wuyi (berço do Lapsang Souchong) para contrabandear plantas e técnicas.
- A Camuflagem: Para se infiltrar, ele raspou a cabeça, usou tranças falsas, vestiu roupas tradicionais chinesas e fingiu ser um homem de alta classe, falando mandarim.
- O Impacto: O roubo de Fortune permitiu aos britânicos cultivarem o chá na Índia. Toda a história do roubo de segredos chineses é explorada em profundidade no documentário TEA: A Bebida que Mudou o Mundo.
Terças-feiras do Chá: O Espião Escocês
que Roubou o Império do Chá da China

Uma ilustração de um livro publicado em 1851 retrata o cultivo do chá na China. Em meados do século XIX, a China controlava a produção mundial de chá. Isso logo mudou, graças a um botânico com gosto por espionagem.Internet Archive
Nota do Editor: Uma versão desta matéria foi publicada originalmente em março de 2010.
Em meados do século XIX, a Grã-Bretanha era um império quase incontestável. Controlava cerca de um quinto da superfície do mundo, e ainda assim sua fraqueza tinha tudo a ver com pequenas folhas embebidas em água quente: chá. Por volta de 1800, era facilmente a bebida mais popular entre os britânicos.

Robert Fortune foi um botânico escocês do século XIX que ajudou a East India Trading Company a roubar os segredos da produção de chá da China.Apic/Getty Images
O problema? Todo o chá do mundo vinha da China, e a Grã-Bretanha não conseguia controlar a qualidade ou o preço. Por volta de 1850, um grupo de empresários britânicos decidiu criar uma indústria do chá em um lugar que eles controlavam: a Índia.
For All the Tea In China: How England Roube the World's Favorite Drink and Changed History é o relato da escritora Sarah Rose sobre o esforço para controlar o mercado do chá, o que ela chama de "o maior ato único de espionagem corporativa da história."
"A tarefa exigia um caçador de plantas, um jardineiro, um ladrão, um espião. O homem que a Grã-Bretanha precisava era Robert Fortune", escreve Rose. Fortune foi o agente enviado para tirar sorrateiramente da China as plantas e os segredos da produção de chá.
Antes dE Robert Fortune, a Inglaterra negociava com a China, enviando ópio em troca de chá.
Mas "o imperador chinês odiava que o ópio fosse o meio de troca, porque uma nação de dependentes químicos estava sendo criada. Então o imperador confiscou todo o ópio [e] destruiu tudo", disse Rose a Guy Raz, da NPR, em uma entrevista em 2010.
"A Inglaterra enviou navios de guerra. E, no fim das contas, perceberam que, se quisessem acompanhar o consumo de chá britânico e não lidar com os chineses, teriam que ser donos disso por conta própria."
Entra Robert Fortune, um botânico em uma época em que as ciências naturais estavam em ascensão na Grã-Bretanha. Na época, muitos botânicos tinham diplomas universitários e eram formados como médicos, mas Fortune, que era escocês, cresceu pobre.
"Ele meio que foi subindo na hierarquia da botânica profissional, aprendendo com treinamento prático em vez de formação em livros", disse Rose.
Por volta de 1845, quando o botânico estava na casa dos 30 anos, ele fez uma viagem de dois anos à China em busca de plantas. Ao retornar, publicou um diário de viagem no qual descreveu suas aventuras.
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"Ele foi atacado por piratas, foi atacado por bandidos, enfrentou todo tipo de doenças e tempestades, e também vai disfarçado de chinês, vestido como se fosse um rico comerciante chinês", disse Rose.
For All the Tea in China
How England Stole the World's Favorite Drink
and Changed History
By Sarah Rose
Suas memórias capturaram a imaginação da sociedade vitoriana, e Fortune foi abordado por um representante da East India Trading Company — na época, uma das corporações multinacionais mais importantes (senão a mais importante) do mundo.
A empresa recrutou a Fortune para retornar à China — desta vez, para contrabandear chá para fora do país.
"Eles queriam um estoque de chá realmente bom dos melhores jardins da China, e também precisavam de especialistas. Eles precisavam que os chineses fossem para a Índia ensinar os plantadores britânicos, assim como os jardineiros indianos", explicou Rose.
Então, a Fortune foi o maior ladrão corporativo da história, ou o homem a quem podemos agradecer pelo chá que bebemos?
"Acho que ele se via como um especialista em porcelana e jardineiro", disse Rose. "Ele não se via roubando algo que não lhe pertencia. Ele achava que plantas pertenciam a todos."

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